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A folha.
Num dia de Março, cheio de sol, um grande e velho carvalho começou de novo a ter folhas. Todas as folhas nasceram lisas, brilhantes e saudáveis, mas de repente ,nasce outra folha que era desconjuntada ,faltando-lhe uma parte do limbo .
Passaram muitas Primaveras, muitos Outonos, Verões e Invernos e todos os anos que passavam a folhinha se sentia mais triste, pois todas as pequenas folhas da sua idade lhe chamavam deficiente. Mas ela apesar disso, ela gostava das outras folhinhas porque achava que elas não faziam por mal …
Mas os anos passavam e , em todos estes anos ,a pequena folhinha se amargava mais na sua solidão . Um dia farta, da quilo ,a folhinha foi pedir para brincar com as outras mas elas disseram que não ,mas depois juntaram-se e disseram :
- Podes vir:
Mal a pequena e ingénua folha sabia o que a esperava. As outras começaram a pregar-lhe rasteiras e a empurrá-la e depois disseram:
«-Vai-te embora, desconjuntada! Vai-te embora! Vai brincar com as que são iguais a ti» .
Então a folhinha correu, chorou, soluçou e resmungou com tudo e todos. Ela pensava porque é que não sou normal?
Um dia encontrou um sábio que lhe perguntou:
-O que foi, pequenota? - Ela ficou aborrecida com o tratamento e disse:
«-Eu já sou grande »
«-Então, pronto, diz lá, grandota !»
Ela começou num pranto. E disse.
-Eu não tenho amigos! As outras folhas gozam comigo porque sou feia.
-Então o velho sábio disse : - Minha folhinha grandota, não lhes podes ligar! Nem queiras saber quantas pequenas folhas já vieram ter comigo a dizer que tinham o mesmo problema que tu . E a todas eu dei a mesma resposta :«não lhes ligues elas não merecem !» . Todas, hoje, são com filhos e tudo e as que gozavam com elas estão desfeitas a lavar ramos da árvore. E digo-te mais:
Tu não vais ser excepção, vais ser uma grande folha .
Obrigado muitíssimo obrigado!
A folhinha foi-se embora e as outras foram ter com ela e começaram a troçar, a pequena folhinha lembrou-se do que o sábio lhe dissera e não fez caso.
Outros tantos anos se passaram e as palavras do sábio concretizaram-se e a folhinha, agora já mulher, tinha tirado o curso de gestora e as outras estavam a lavar escadas e a pedir-lhe emprego. E assim, a folha que nasceu desconjuntada se transformara numa grande mulher.
A vida !
Sei que já alguém algum destes dias perguntou: “Quem me garante que vou viver o dia de amanhã?” - ou então disse: “Vive este dia como se fosse o último”
Mas ao contrário do que as pessoas possam pensar depois do que eu disse agora, o meu objectivo não é roubar estas frases pré feitas que alguém disse, porque achou engraçado, e pensou que seria fácil pôr em prática estas frases filosóficas.
Mas enganou-se, e alguém me pode explicar como é que, com as preocupações e problemas que nós temos, conseguimos viver sem pensar no dia de amanhã e nas preocupações que ele nos vai trazer?
Mas concordo com a frase “Quem me garante que vou viver o dia de amanhã ?”, porque nem Deus nem ninguém me pode dizer se, quando amanhã for para a escola, não vou ser atropelada. E ao concordar com esta frase tenho que dizer que cada dia é uma incerteza, uma dádiva e também se pode dizer que, se concordo com esta frase, tenho obrigatoriamente de concordar com “Vive cada dia como se fosse o último”. Eu não digo para se fazer tudo na vida em função deste lema, mas podemos, em cada dia, viver uma parte como se aquele fosse o último momento; assim, quando chegarmos ao final da vida, podemos dizer, se o conseguirmos dizer, que vivemos a vida como se fosse a última, e isto temos a certeza que é verdade.
Na vida há poucas coisas sólidas como a verdade e isto acontece porque há poucas verdades.
Visto que este texto é baseado em frases pré feitas por umas pessoas quaisquer, decidi acabá-lo com uma frase pré- feita que eu escolhi como sendo a minha preferida; e ela é : “Só sei que nada sei “; eu escolhi-a porque é verdade: neste mundo, a única coisa que sei é que irei sempre amar quem me ama e, por isso, obrigado por me amarem neste dia que não sei se vai ser o último.
Carlota Casqueiro